Como avaliar o excesso de ferro no sangue

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Como avaliar o excesso de ferro no sangue

O excesso de ferro no sangue é um problema de saúde que pode gerar consequências graves se não tratado corretamente a tempo. O maior problema com essa condição é que ela tem geralmente diagnóstico tardio, uma vez que os sintomas causados são pouco específicos e quando aparecem, a doença já está em estágio avançado.

O diagnóstico, em sí, não é difícil. Exames de sangue e de Ressonância Magnética costumam ser suficientes.

Uma vez diagnosticado, o excesso de ferro no sangue pode ser tratado utilizando-se medicações que diminuem a absorção de ferro no intestino (do ferro que está presente nos alimentos) e, em casos mais acentuados, através de retirada de sangue (sangria). O excesso de ferro no sangue é depositado em órgãos causando efeito tóxico.

Por isso, é fundamental a identificação do excesso de ferro antes que este cause danos ou lesões à órgãos importantes.

Escrevemos esse breve artigo falando um pouco sobre a regulação normal de ferro no nosso corpo e quais são os problemas de seu excesso. Logo após, falaremos sobre o diagnóstico.

Estoques normais de ferro 

No nosso organismo, estão presentes cerca de três a quatro gramas de ferro, que estão presentes na hemoglobina (células vermelhas do sangue), em proteínas e no plasma sanguíneo. Além disso, podemos ter um estoque reserva de ferro fora do sangue, especialmente no fígado e na medula óssea.

A quantidade total de ferro no organismo é determinada pelo balanço entre a quantidade de ferro que ingerimos através dos alimentos e entre o ferro perdido através de sangramentos, por exemplo.

Não existe nenhum processo fisiológico para a eliminação do ferro do corpo quando em excesso, apesar deste poder ser eliminado pela menstruação, nas mulheres. De uma forma geral, o ferro é absorvido e utilizado para suprir as necessidades do organismo, principalmente para a produção de células vermelhas do sangue.

Existe um mecanismo que regula a absorção de ferro dos alimentos no intestino. Quando em funcionamento normal, esse mecanismo permite absorver apenas a quantidade de ferro que o corpo precisa. O excesso de ferro ingerido na alimentação deixa de ser absorvido, sendo eliminado nas fezes.

Causas do excesso de ferro no sangue

O excesso de ferro no sangue pode ocorrer por uma falha no mecanismo que regula a absorção de ferro no intestino, permitindo que seja absorvido mais ferro que o organismo precisa. Essa condição ocorre por uma falha genética e é chamada de Hemocromatose.

Outra causa de excesso de ferro é através de transfusões de sangue em excesso. Uma vez que o sangue transfundido contém ferro, essa infusão de ferro contida nos glóbulos vermelhos não passam pelo mecanismo de regulação. O excesso de ferro depositado nos órgãos por transfusões é chamado de Hemossiderose.

Consequências do excesso de ferro

Como dito anteriormente, o excesso de ferro é tóxico pode causar diversos danos a órgãos e tecidos no corpo.

Quando a quantidade de ferro no organismo aumenta além das necessidades para a produção normal de células vermelhas sanguíneas, células musculares e enzimas, ele é depositado em órgãos promovendo a produção de agentes oxidantes, que danificam os tecidos corporais e causam inflamação e fibrose nos tecidos.

O fígado, coração, articulações e glândulas endócrinas são mais frágeis à ação do excesso de ferro. Porém, quando o indivíduo começa a apresentar sintomas, é bem provável que lesões permanentes já tenham sido causadas.

Sinais comuns do excesso de ferro no sangue

Achados clínicos comuns do excesso de ferro no organismo incluem:

  • Aumento da ferritina (exame de sangue);
  • Funcionamento anormal do fígado e cirrose;
  • Falência cardíaca;
  • Diabetes Melitus;
  • Redução do tamanho dos órgãos genitais, redução da libido, e impotência sexual;
  • Escurecimento da pele;
  • Alterações nas articulações.

Diagnóstico do excesso de ferro no sangue

A avaliação do excesso de ferro é feita sempre que existe alguma disfunção de órgãos que não seja explicada por causas conhecidas, especialmente no fígado, coração e os órgãos sexuais.

Além disso, outros fatores são levados em consideração, como a idade do paciente, o histórico familiar, outros sintomas associados e outras doenças presentes.

Somados à uma avaliação clínica rigorosa feita por especialistas, todos os pacientes com suspeita de excessos de ferro devem fazer os seguintes exames:

  • Hemograma completo;
  • Estudos de ferro, incluindo ferritina sérica e saturação de transferrina;
  • Painel metabólico incluindo enzimas do fígado;
  • Teste genético para Hemocromatose, principalmente para indivíduos com história da doença na família;
  • Ressonância magnética específica para quantificação de ferro;
  • Biópsia do fígado para pacientes com evidências laboratoriais e na Ressonância Magnética de excesso de ferro.

Exames não invasivos para avaliação do excesso de ferro

Exames de imagem não invasivos, como a Ressonância Magnética, tem se tornado cada vez mais precisos para a determinação do nível de depósito de ferro no fígado e no coração, tornando possível a detecção da presença de excesso de ferro nesses tecidos, bem como a quantificação da concentração dessa substância, classificando assim a gravidade da doença.

Usualmente, utiliza-se a Ressonância Magnética Cardíaca e do Fígado em pacientes com suspeita de aumento da concentração de ferro no corpo.

A Ressonância Magnética também consegue quantificar a concentração de gordura no fígado, conhecida como esteatose. às vezes, há aumento de ferro e de gordura e apenas a Ressonância Magnética consegue distingui-las e definir a concentração de cada uma de maneira não invasiva. Além disso, a Ressonância Magnética também avalia os possíveis danos causados pelo excesso de ferro no fígado, como a presença de cirrose e câncer hepático.

A ultrassonografia também pode levantar a suspeita de aumento da concentração de ferro no fígado. Entretanto, a ultrassonografia não é capaz de distinguir qual a substância que está em excesso no fígado. Ferro, gordura, glicogênio e cobre aparecem da mesma maneira na ultrassonografia. A ultrassonografia também não é capaz de quantificar de maneira precisa a concentração dessas substâncias. Portanto, fica a dica: pacientes com aumento de ferritina e que apresentam resultado de “esteatose” na ultrassonografia podem não ter esteatose, podem ter excesso de ferro no fígado!

A Tomografia Computadorizada tem papel limitado na avaliação do nível de ferro no fígado. O excesso de ferro pode causar uma elevação da densidade do fígado. Mas assim como na ultrassonografia, outras substâncias podem aumentar a densidade, não sendo específico para o ferro.

Na Tesla Diagnóstico por Imagem realizamos todos os exames de imagem necessários para esta avaliação. Seguimos os protocolos mais modernos para quantificação de ferro hepático por Ressonância Magnética.

Por |2018-02-06T01:11:48+00:0015 de janeiro de 2018|1 Comentário

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Um Comentário

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    MILENE 23 de janeiro de 2019 em 11:09 - Responder

    Bom Dia.

    Estou com suspeita de Anemia, tive desmaios e precisei fazer exames de sangue para saber se é anemia ou não.
    Só que no exame na parte do FERRO – O Intervalo de Referência é: 37 a 145 μg/dL – E o meu deu 158μg/dL.

    Isso significa que o nível de ferro no meu sangue esta superior ao normal?

    Obrigada.

    At.
    Milene

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